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Ter, 29 de Julho de 2008 00:06
Brasiléia
Acre - AC

Histórico
Habitavam primitivamente as terras do município as tribos catianas e maintenecas.
A primeira penetração de civilizados ocorreu por volta de 1879, com a chegada de
imigrantes nordestinos, fugitivos das inclemências climáticas do nordeste e ávidos de se
entregarem ao mister da extração de borracha.
Os imigrantes iam tomando pose das terras até então inexploradas e, em pouco
tempo, constituíram-se vários seringais: Carmem Nazaré, Belmonte, Canindé, Baturité, São
João, São Francisco, Triunfo, Piauí, Bahia, etc., designações dadas pelos nordestinos às
novas propriedades e que lhes traziam recordações da terra natal.
Quando a eclosão da revolta acreana em 1902, o território do município era
ocupado, na sua quase totalidade, por brasileiros. Os seringais Carmem e Bahia foram
palcos de encarniçados combates. No seringal Bahia perderam a vida inúmeros brasileiros,
em defesa da causa acreana.
Com a celebração do Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903, as terras
de Brasiléia, como todo o Acre, passaram a integrar o território brasileiro.
Na primeira divisão territorial administrativa do Acre, fixada pelo Decreto Federal
n.º 5188, de 7 de abril de 1904, Brasiléia figurava como zona integrante do Departamento
do Alto Acre.
Em 1908 instala-se no seringal Belmonte o termo judiciário do Alto Acre e no ano
seguinte outros termos judiciários são inaugurados. A instalação dos termos se fazia nas
sedes dos seringais quando os proprietários permitiam.
Sobre a fundação da cidade, conta-se que a idéia surgiu em conseqüência de um
incidente ocorrido entre o juiz do 3.º termo judiciário da Comarca de Xapuri, sediado no
seringal Nazaré, Fulgêncio de Paiva, e o arrendatário do mesmo seringal, João Pereira de
Pinho.
O juiz protestou contra os alojamentos que lhe ofereceram, considerando-os
indignos do judiciário. Desse desentendimento resultou a expulsão do juiz e do escrivão
que não obtendo acolhimento em outros seringais dirigiram-se a Cobija, cidade fronteiriça
boliviana, onde foram hospedados por patrícios ali residentes.
Conduzindo as costas todo o material e arquivo do juizado, os dois funcionários
causaram hilaridade as pessoas que os viram atravessar as ruas da cidade boliviana. Dizia-
se em satírico dito da região que a justiça do 3.º Termo andava num "jamaxi", de seringal,
esmolando hospedagem.
Vários brasileiros residentes em Cobija, feridos no seu amor pátrio não puderam
ficar indiferentes a esse acontecimento e reuniram-se na residência de José Cordeiro
Barbosa e concordaram em conseguir uma instalação condigna e apropriada para a justiça.
Organizou-se, então, uma comissão integrada por Luís Barreto Correia de Menezes,
Reinaldo Melo, José Cordeiro Barbosa e Fulgêncio de Paiva, com o fim de adquirir o local
para a fundação de uma vila onde se construiria um prédio destinado à instalação desejada.
Do rio acre.
A idéia foi a propalada entre os brasileiros que mourejavam às margens do rio,
acima de Cobija e nesta residentes, apelando para o concurso pessoal e financeiro de cada
um. Ultimados os preparativos no domingo de 3 de julho de 1910, às 7 horas, cerca de 100

pessoas, entre homens e mulheres, deram início à derrubada da mata sob ardoroso
entusiasmo.
Às 17 horas foram suspensos e dados por concluídos os trabalhos, constatando-se o
desflorestamento de um hectare de área.
Após o trabalho de derrubada e limpeza do terreno, tendo a comissão arrecadado a
importância de vinte contos de réis, teve início a construção de um amplo prédio, que se
chamaria "Palácio da Justiça". Neste local surgiria Brasília , popularmente Brasília e atual
Brasiléia.
Decorridos seis meses, quando as obras já se encontravam em acabamento, aparece,
inopinadamente, o gerente do seringal Carmem, João Gomes Teixeira, à frente da
marinhagem do navio "Braga Sobrinho", e ataca a indefesa vila, destruindo totalmente o
prédio. Em conseqüência, instalou-se rigoroso inquérito, ficando a firma insurgente
obrigada a doar a área em questão.
Em 30 de maio de 1911, foi realizada a doação, por escritura publica, em Rio
Branco. Nesse mesmo ano, por determinação do Prefeito do Departamento do Alto Acre,
Deocleciano Coelho de Souza, verificou-se o levantando da planta-projeto da novel vila e,
no ano seguinte, foram nomeadas as primeiras autoridades.
Gentílico: brasileense
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Brasília, pela resolução nº 22, de 09-05-1911,
subordinado ao município de Alto Acre.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de Brasília, figura no
município de Alto Acre.
Pelo decreto-lei Federal nº 9831, de 23-10-1912, transfere o distrito Brasília do
município de Alto Acre para o novo município de Xapuri.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Brasília figura no
município de Xapuri.
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas 31-XII-1936 e 31-XII-1937.
Elevado à categoria de município com a denominação de Brasília, pelo decreto-lei
Federal nº 968, de 21-12-1938, desmembrado dos municípios de Xapuri e Sena Madureira.
Sede na Vila de Brasília. Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1939.
Pelo decreto-lei Federal nº 6163, de 31-12-1943, o município de Brasília passou a
denominar-se Brasiléia.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído do distrito
sede.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.
Alteração toponímica municipal
Brasília para Brasiléia alterado, pelo decreto-lei Federal nº 6163, de 31-12-1943.
Transferência distrital
Pelo decreto-lei Federal nº 9831, de 23-10-1912, transfere o distrito de Brasília do
município de Porto Acre para o de Xapuri.

Fonte: Acervo de Documentação Territorial do Brasil. IBGE. http://biblioteca.ibge.gov.br/
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